A mulher objeto
Depois da segunda, o casal inicia uma conversa, no mínimo tensa, após os movimentos intensos de práticas sexuais pervertidas, num quarto de hotel, de ventilador e sem frigobar, totalmente precário.
– Já comi várias nesse quarto… – Disse de maneira insensata, tentando iniciar um desprezo à sua companheira.
– Porque você sempre faz isso comigo? Nunca pensou num namoro sério, ter alguém ao seu lado, sair dessa vida? – Ela disse um tanto irritada com a provocação.
- Que porra nenhuma! – respondeu aparentemente em fúria com o direcionamento da conversa – namoro sério pra mim é caso complicado, não gosto de ter seriedade com ninguém – acendeu um cigarro e continuou – o lance é o seguinte, tenho que sair, ficar drunk, curtir a balada e pegar mulher pra caralho, entendeu?
Agora a tensão havia se instaurado naquela cama. O casal estava em um desentendimento broxante.
– Eu prefiro relacionamentos mais consistentes – respondeu bastante ofegante (a foda havia sido muito boa).
– Consistente uma porra! Depois da foda, a mulher já pensa que é sua dona, fica de nhen-nhen-nhen… Desprezo logo, chuto pra escanteio, meu lance é pegar pra comer e ponto final.
– Mas eu não me vejo com esse tipo de atitude, gosto do carinho, do afeto, de tentar a relação… Não posso descartar assim tão rápido.
– Véi, mando vazar assim que não sinto mais tesão, entendeu? Porque senão ela se envolve e fica de xibiatagem com esse papo de relacionamento monogâmico, totalmente patético…
– Nada… Você está sendo muito insensível, aposto que um dia você vai se apaixonar por uma mulher a ponto de querer casar e, se for comigo – dessa vez provocou –, aí que eu vou te desprezar igual como você está fazendo agora.
- Casar? Você deve tá brincando… Casamento é papo démodé. Não suporto a ideia de morar com ninguém, gosto de levar muitas mulheres pra cama, uma, duas, três, várias ao mesmo tempo quando to de boa…
A provocação estava cada vez mais quente.
- Nem sei porque eu ainda insisto nessas conversas com você, me arrependo de ter dado minha xoxota, juro que essa é a ultima vez.
– Ultima vez porra nenhuma, você sabe que eu te desprezo, mas você é a única que eu como várias vezes, você é a minha mulher objeto preferida…
Agora pegou pesado, ela não gostou completamente em nada desse último comentário. Se levantou nua da cama, pegou o sabonete e sem dizer mais uma só palavra, foi lavar a xereca. Enquanto esfregava o sabote, não se conteve de tanta raiva, saiu do boxe e esbravejou:
- Essa xoxota aqui ó – bateu com força na periquita três vezes – você não mete mais a língua! Mulher objeto né? É assim que você trata as mulheres que caem em sua lábia né?
- Na minha lábia não, na minha língua! – soltou uma risadinha irritante e provocativa – Isso eu sei fazer muito bem, não é querida?
Ela não respondeu mais nada. Estava vestindo a sua roupa enquanto ouvia o que não gostaria de ouvir por ser uma mulher sensível, romântica, dessas que se entregam facilmente.
- Mulher pra mim tem que ser isso mesmo, só serve se for mulher objeto. Gosto de fazer o que eu quero… Quero a mulherzinha totalmente submissa às minhas vontades, faço de cachorrinho mesmo… – Estava querendo encerrar a conversa para dormir e ela ainda estava atrapalhando – Você sabe que é safada – continuou atacando – não é a toa que você deitou aqui nessa caminha. – Bateu levemente na cama – Agora pode ir embora, mas deixa, que hoje você não vai precisar dividir a conta de motel comigo… – Riu de maneira sarcástica.
A outra respirou fundo, não queria dizer mais nenhuma palavra. Pegou a sua carteira de cigarros, abriu a porta pra sair do quarto, mas antes, não conseguiu aguentar tamanha provocação e berrou, em alto e bom som, pra todo mundo ouvir: – Você é mesmo uma puta, Jéssica! – Fechou a porta e se jogou na cama.
– Adoro mulher objeto. – Encerrou a conversa e foram dormir abraçadas.
