Abdução ou apenas sonho?
* Essa história aconteceu na madrugada do dia 28 de julho de 2011.
Despertei numa sala, num lugar muito alto, como uma espécie de confinamento. Era confortável, com amplas paredes de vidro. Havia outras pessoas também comigo, embora eu não soubesse quem exatamente eram. Desconhecidos, muito provavelmente. Estava ainda confuso, – as outras também pareciam –, não sabia me situar direito naquela realidade. Avistei no alto uma nave em formato triangular se aproximando. Fiquei imensamente maravilhado, queria avisar as outras pessoas, mas não conseguia dizer nenhuma palavra. Apenas vislumbrei aquela estrutura monumental pairando no ar. Não me lembro de ter visto luzes em sua estrutura como nos filmes, penso que essa nave se mantinha no ar através de som ou algo magnético, pois, ao que me parece, haviam imensas estruturas como alto falantes, embora eu não ouvisse nenhum tipo de som.
Um compartimento central e também triangular da nave se abriu – a minha visão era da parte inferior da nave – eu ainda tentei ver alguma coisa de dentro, mas ao perceber que algum dispositivo estava descendo em minha direção, me movimentei muito lentamente para outro local tentando me esconder, comecei a sentir um pouco de medo. Mas minhas reações não eram eufóricas, talvez eu estivesse sedado ou talvez a gravidade daquele lugar dificultasse a minha locomoção. Então um dispositivo esférico, de aspecto metálico partiu em minha direção e me atraiu, como se fosse um ímã, me imobilizando. Imediatamente vi uma abertura no teto da sala e um caminho de luz surgiu e me transportou em partículas luminosas para um nível superior – acredito que fui para dentro da nave, se é que eu já não estava.
Nesse nível, fui colocado numa cama ou maca, não sei se fui amarrado, acho que estava sem roupa, minha consciência já estava mais reduzida ainda. Tentei esboçar algum tipo de reação, mas era praticamente nulo. Estava com muito medo do que iriam fazer. Não conseguia ver quem eram, percebi uns três ou quatro ao meu redor. Eu temia que fizessem algum tipo de experimento em mim, principalmente sexual, mas não conseguia gritar, nem me mover. Não sei exatamente o que fizeram, mas no ultimo procedimento, – eu senti dor –, percebi uma perfuração em minha coluna cervical, talvez uma injeção. Após isso, ouvi vozes, mas não sei o que disseram, acredito que era uma indicação de que eu estava liberado. Fechei os olhos e acordei em meu quarto, deitado na cama, confuso e ainda sentindo um pouco de dor. Senti uma vontade de abrir a janela e olhar para o céu, mas tive medo e estava com sono.
A mulher objeto
Depois da segunda, o casal inicia uma conversa, no mínimo tensa, após os movimentos intensos de práticas sexuais pervertidas, num quarto de hotel, de ventilador e sem frigobar, totalmente precário.
– Já comi várias nesse quarto… – Disse de maneira insensata, tentando iniciar um desprezo à sua companheira.
– Porque você sempre faz isso comigo? Nunca pensou num namoro sério, ter alguém ao seu lado, sair dessa vida? – Ela disse um tanto irritada com a provocação.
- Que porra nenhuma! – respondeu aparentemente em fúria com o direcionamento da conversa – namoro sério pra mim é caso complicado, não gosto de ter seriedade com ninguém – acendeu um cigarro e continuou – o lance é o seguinte, tenho que sair, ficar drunk, curtir a balada e pegar mulher pra caralho, entendeu?
Agora a tensão havia se instaurado naquela cama. O casal estava em um desentendimento broxante.
– Eu prefiro relacionamentos mais consistentes – respondeu bastante ofegante (a foda havia sido muito boa).
– Consistente uma porra! Depois da foda, a mulher já pensa que é sua dona, fica de nhen-nhen-nhen… Desprezo logo, chuto pra escanteio, meu lance é pegar pra comer e ponto final.
– Mas eu não me vejo com esse tipo de atitude, gosto do carinho, do afeto, de tentar a relação… Não posso descartar assim tão rápido.
– Véi, mando vazar assim que não sinto mais tesão, entendeu? Porque senão ela se envolve e fica de xibiatagem com esse papo de relacionamento monogâmico, totalmente patético…
– Nada… Você está sendo muito insensível, aposto que um dia você vai se apaixonar por uma mulher a ponto de querer casar e, se for comigo – dessa vez provocou –, aí que eu vou te desprezar igual como você está fazendo agora.
- Casar? Você deve tá brincando… Casamento é papo démodé. Não suporto a ideia de morar com ninguém, gosto de levar muitas mulheres pra cama, uma, duas, três, várias ao mesmo tempo quando to de boa…
A provocação estava cada vez mais quente.
- Nem sei porque eu ainda insisto nessas conversas com você, me arrependo de ter dado minha xoxota, juro que essa é a ultima vez.
– Ultima vez porra nenhuma, você sabe que eu te desprezo, mas você é a única que eu como várias vezes, você é a minha mulher objeto preferida…
Agora pegou pesado, ela não gostou completamente em nada desse último comentário. Se levantou nua da cama, pegou o sabonete e sem dizer mais uma só palavra, foi lavar a xereca. Enquanto esfregava o sabote, não se conteve de tanta raiva, saiu do boxe e esbravejou:
- Essa xoxota aqui ó – bateu com força na periquita três vezes – você não mete mais a língua! Mulher objeto né? É assim que você trata as mulheres que caem em sua lábia né?
- Na minha lábia não, na minha língua! – soltou uma risadinha irritante e provocativa – Isso eu sei fazer muito bem, não é querida?
Ela não respondeu mais nada. Estava vestindo a sua roupa enquanto ouvia o que não gostaria de ouvir por ser uma mulher sensível, romântica, dessas que se entregam facilmente.
- Mulher pra mim tem que ser isso mesmo, só serve se for mulher objeto. Gosto de fazer o que eu quero… Quero a mulherzinha totalmente submissa às minhas vontades, faço de cachorrinho mesmo… – Estava querendo encerrar a conversa para dormir e ela ainda estava atrapalhando – Você sabe que é safada – continuou atacando – não é a toa que você deitou aqui nessa caminha. – Bateu levemente na cama – Agora pode ir embora, mas deixa, que hoje você não vai precisar dividir a conta de motel comigo… – Riu de maneira sarcástica.
A outra respirou fundo, não queria dizer mais nenhuma palavra. Pegou a sua carteira de cigarros, abriu a porta pra sair do quarto, mas antes, não conseguiu aguentar tamanha provocação e berrou, em alto e bom som, pra todo mundo ouvir: – Você é mesmo uma puta, Jéssica! – Fechou a porta e se jogou na cama.
– Adoro mulher objeto. – Encerrou a conversa e foram dormir abraçadas.
Dublador de Apartamentos – Parte Final
Voltei. O café estava tão forte que me deu dor de barriga. Pois então, minha diversão dos fins de semana quando não saio pra tomar umas é ficar olhando as janelas dos outros apartamentos. É como uma novela, cada janela é uma cena nova, às vezes sem conexão alguma, mas com histórias interessantíssimas. Se eu tivesse uma câmera, iria filmar janela por janela, aposto que daria uma excelente longa. Podia ser estrelado por Lázaro Ramos, o único que poderia me representar no mais alto nível de boniteza. Eu seria o principal protagonista dessa historia…
Transformo a vida dessas pessoas que vejo em cada apartamento muito mais interessante que a vida real. As minhas dublagens e a minha mente criativa quebra a apatia que há nesses pequenos aquários (como o meu apartamento), a vida monótona e sem graça daquele casal de idosos que fica assistindo televisão e peidando o tempo inteiro se torna uma trama mais apimentada quando entra em cena a sua empregada que adora fazer carinhos no vovô – descobri que ele tem problemas cardíacos, por isso ela costuma massagear seu peito todas as noites – ele é nervoso, toma remédio para controlar os nervos senão tem um ataque fulminante e morre imediatamente. Coitada da velhinha tagarela e surda, ela vai pro banheiro a cada cinco minutos. A empregada, mocinha jovem de vinte e poucos anos está sempre lá cuidando deles, uma graça ela. Se ela soubesse da minha versão pervertida da história do apartamento dela…
Ontem a noite me encontrei com ela na rua e sem querer a cumprimentei “Oi Jéssica”. E ela sem entender respondeu “meu nome não é Jéssica, me conhece de onde?”. Pensei em responder “é que eu fico olhando a janela do seu apartamento quase todas as noites e dublando sua voz”, mas respondi “desculpe, acho que já vi você em algum lugar”. Fui dando o fora meio sem graça, mas ela insistiu na conversa “acho que já nos vimos antes também, você mora por aqui?”. A conversa rendeu até o ponto de ônibus, agora eu sabia o nome dela, Roberta e foi por isso que soube dessa história dos velhinhos. Podia contar minha versão da história, muito mais interessante. Trocamos os telefones e e-mails. Disse a ela que meu email estava na manutenção junto com o meu computador, pra fazer upgrade. Ela riu e entrou no ônibus.
Agora ao vivo, diretamente da janela do meu apartamento, lá está ela, acabou de chegar à casa dos velhos. Está com a mesma roupa de ontem, deve ir pro banheiro daqui a pouco, depois de cumprimentar os velhos e tomar um banho. Queria que essa luneta alcançasse o banheiro, ia ser perfeito. A velha não está na sala, deve ter ido dormir, agora eu sei que a velha costuma dormir cedo e o velho um pouco mais tarde depois do Jornal da Globo. Ela ainda não foi tomar banho, voltou pra sala só de toalha. Se ela não tivesse me contado a historia, começaria a dublar alguma sacanagem. O velho está olhando pra ela e falando alguma coisa. “Tira essa toalha, quero dar uma chupadinha em você” – eu não perco essa mania de dublar. Queria poder ouvir o que ela tá falando com ele agora, deve ser algo do tipo “O senhor já tomou seu remédio para controlar os nervos, fico preocupada com o senhor, com a sua saúde”. Que coisa triste isso…
Ela veio se aproximando da janela só de toalha e… Fechou a porcaria da janela! Resolvi ligar pra ela. “Alô Jéssica, quer dizer, Roberta…” falei sem saber o que dizer. Deu pra ouvir o velho perguntando com sua voz rouca e irritada “quem é que tá ligando uma hora dessas pra cá?”. Ela respondeu que não era ninguém não e cochichou baixinho dizendo “agora não posso, depois ligo pra você”. Já ia colocando o aparelho no telefone quando percebei que ela ainda não tinha desligado. Provavelmente, na pressa de desligar logo, não colocou o telefone corretamente no gancho. Já que não posso ver o que eles estão fazendo, vou ouvir o que estão dizendo, mas só conseguiu ouvi apenas alguns ruídos e alguém meio que gemendo. Não conseguiu imaginar outra coisa a não ser sexo.
Que mente mais poluída. Desligou o telefone e foi observar outras janelas. Não achou nada tão interessante essa noite, já estava quase também fechando a sua janela quando percebeu que o vento estava balançando a cortina do apartamento de Roberta. Pegou novamente a luneta e percebeu que ela estava nua, agachada à frente do velho fazendo sexo oral nele. Que nojo, que abjeção, como ela pode fazer isso com um velho? E a pobre velhinha, coitada, dormindo, nem sabe dessa sacanagem que eles estão fazendo! Uma vontade de implodir aquele prédio completamente tomou conta de mim agora. Acho que vou sair pra tomar uma e esquecer toda essa história nojenta. Que pessoas mais imundas!
Dublador de Apartamento – Parte II
Posicionou a luneta na janela, apagou as luzes da sala e começou a fazer uma pesquisa nos apartamentos do imenso prédio a sua frente. Um casal em crise que depois de discutirem vão fazer sexo – não vê essa parte, mas deduz porque ambos entram em outro cômodo da casa que a luneta não consegue alcançar e ficam lá por horas… Tem o apartamento do velho bêbado tarado que fica gritando da janela em suas alucinações alcoólicas – isso sem contar que ele costuma andar completamente nu pelo apartamento. No apartamento do lado alguns transexuais que adoram trocar de blusa na janela – Ele ainda não sabe que são transexuais, adora ver aqueles peitinhos da sua luneta. Ainda não sei qual será o impacto que isso irá lhe causar quando ele descobrir que aquelas meninas tem pau – e, se duvidar, até maior que o dele. Entre inúmeros apartamentos, há um, nesse momento, precisamente às 23 horas e 52 minutos deste sábado, que vem despertando maior interesse e atenção.
O senhor está sentado numa poltrona, parece que está vendo televisão. Ao seu lado, um pouco mais distante, uma senhora, meia idade, está falando alguma coisa. Bem que essa luneta podia ter som – ele pensou. Ele tenta ler os lábios dela e começa a dublar um possível diálogo entre os dois.
- Meu bem, querido… Hei querido, presta atenção em mim, estou falando – ele faz uma voz de idosa tentando adivinhar o que ela está dizendo. Finalmente o coroa olha para a velha que se cala imediatamente. Ele parece furioso com alguma coisa. Respira fundo e começa a falar.
- Eu já te disse mil vezes que eu não quero mais comer você! Não insista! – A dublagem ficou um pouco sem noção, coitada da velhinha, tinha idade para ser sua vó. Nesse momento uma mulher mais nova, aparentando uns vinte e poucos anos cruzou a frente dos dois e abraçou o velho por trás da poltrona, acariciando o seu peito. O velho então disse:
- Não tenho mais nenhum interesse em você, agora só quero comer moças novinhas como a Jéssica que tem vinte e três aninhos e faz tudo o que eu mando… – Dublou praticamente com a mais perfeita sincronia, parece mesmo que o velho falou exatamente isso. Está se divertindo com a dublagem que é, cada vez mais imprevisível.
- Meu gostoso… – Dublou dessa vez a mocinha que começou a falar olhando nos olhos do velho – Eu estou toda molhadinha, doida pra chupar você, mas com a velha olhando não tem clima. Manda ela embora, manda…
O velho olhou com cara de irritado para a senhora e por alguns minutos todos se calaram. A velha se levantou da cadeira, colocou os óculos na mesa. Ele ficou atento, esperando um momento pra começar a dublagem dela. Mas ela não disse nada e foi para outro cômodo da casa.
- Agora senta aqui no colo do vovô, senta… – Essa parte ele dublou como se fosse o pensamento do velho falando pra mocinha de vinte e poucos anos. A mocinha fez uma cara de puta no cio e começou a falar.
- Ainda bem que ela foi dormir, agora posso fazer tudo o que quiser com você… – Fez uma dublagem com voz sensual.
- Mas eu ainda preciso tomar o meu Viagra, senão a pica não levanta – Dublou o velho.
E este se levantou, foi até a escrivaninha da sala, abriu a gaveta, não deu pra ver o que ele estava fazendo porque estava de costas, voltou para a poltrona e sentou mais confortavelmente com as pernas abertas, no momento em que a mocinha havia se abaixado justamente a sua frente. Ia começar a sacanagem, ele pensou. Mas foi justamente na hora que a velhinha voltou pra sala e fechou a janela do apartamento. Droga! Voltou a pesquisar nas outras janelas do prédio, mas nada de tão interessante por enquanto.
- Puta merda, o que será que está rolando naquele apartamento?
Dublador de Apartamento
Nossa história começa em um prédio desses que tem mil apartamentos por andares – não propriamente mil, isso é só um “exagerismo”, claro que não existem prédios com mil apartamentos por andares, eu acho. Mas sem maiores digressões, vamos nos ater ao texto e dar prosseguimento a história. Então, como eu ia dizendo, nesse prédio imenso muitas e muitas histórias acontecem em cada apartamento. Milhares de famílias (e homens solitários) com tantos milhares de histórias e complicações… Puta merda, não sei como dar prosseguimento a essa história. Que começo complicado.
Recomeçando. Cá estou em meu apartamento. Mas não é no apartamento do prédio que tem mil apartamentos por andares – claro que não existem prédios com mil apartamentos – já disse isso, não sei por que estou dizendo isso de novo, se bem que o parágrafo anterior não é pra ser considerado já que a história foi recomeçada. Que droga, complicando de novo o começo da história. Aqui no meu apartamento, que fica em frente ao tal prédio de, supostamente, mil apartamentos por andares, não tenho outra visão quando abro a janela, a única janela do meu apartamento tão pequeno, a não ser esse maldito ou bendito prédio – não sei julgar se é ele bom ou ruim, é um prédio normal como qualquer outro, só que imenso – com mil apartamentos por andares – que droga, tenho vontade de implodi-lo quando repito isso.
Bom, contextualizando a minha rua, daqui do meu apartamento pequeno não dá pra ver a rua, a não ser o tal prédio que já falei anteriormente (se me perguntar de que prédio estou me referindo eu juro que mato você e escondo seu corpo no prédio – pois ele é imenso com mais de mil apartamentos por andares – que ódio ter tido isso). Onde estava mesmo… Ah, na rua! Mas não estava na rua, estava falando da rua do meu apartamento pequeno. A rua é pequena – mas eu não vejo a rua, só um magatal que separa o meu prédio do prédio imenso. Meu prédio é pequeno, esmagado por outros tantos prédios imensos, mas não tão imensos quanto o prédio da frente. A rua é imunda, de noite fumadores de crack tomam conta do pedaço, não posso sair, não posso voltar tarde pra casa, meu horário é controlado por eles. Moro num bairro tipicamente de pobres, sabe esses lugares onde cada janela de apartamento tem uma porção de roupas penduradas? Imagina só no prédio que tem mais de mil apartamentos por andares quanto de roupa pendurada… Às vezes fico de olho pra ver se alguma roupa de marca cai da janela de algum apartamento. Outro dia desci o matagal pensando encontrar alguma roupa de marca, era uma camiseta vagabunda e rasgada. Pra completar acabei rasgando a minha camisa também, agora eu tinha duas camisetas vagabundas e rasgadas.
Ai, essa história está ficando chata. Preciso dar um salto na trama. Mas antes preciso contar um pouco sobre mim, pra ser contextualizado na história. Faço parte da história no papel principal, o artista de Hollywood. Sabe Lázaro Ramos? Um prazer, você está falando com o próprio. Não preciso descrever muita coisa do ponto de vista físico. Do ponto de vista financeiro posso dizer que sou uma tragédia, mas não conta isso pra ninguém porque estou saindo com a gostosa da lanchonete do pequeno shopping que eu trabalho de vigia noturno. Disse a ela que eu era chefe do departamento de segurança operações noturnas. Saímos um dia só pra almoçar, foda!, tive que pagar o almoço dela e fingir que não me importava com a quantia. A desgraçada come feito um peão, parece que nunca viu comida na vida, ou foi porque sabia que o otário aqui é que ia pagar a conta. No fim das contas, levei ela pra comer, mas não comi. Mas ainda estou na luta, próxima etapa é disponibilizar verba para o motel. Bem que podia levar ela no matagal aqui da frente, mas os vizinhos do prédio de mil apartamentos iriam ficar de olho, bando de pervertidos sem educação. Eu comendo a mulher e eles olhando, aposto que ia ter algum velho bêbado tarado se masturbando.
No meu apartamento pequeno tenho uma televisão pequena que só pega malmente a rede globo por conta das interferências dos outros prédios que são maiores que o meu prédio, um DVD com alguns filmes piratas, um microssystem, cama de solteiro, geladeira capenga, fogão nem se fala – ganhei da minha vó quando comprou um novo – e algumas quinquilharias que inclui aí, em especial uma máquina de datilografar Olivetti. Em plena era digital, cá estou eu com uma máquina de datilografar. Comprei faz algum tempo quando fiz curso de datilógrafo. Não tenho intimidade com computador, pra falar a verdade, não tenho computador – mas não fala pra ninguém porque estou tentando comer a gostosa da lanchonete, se ela souber da minha pindaíba, eu to lascado de quatro. Ainda gosto do barulho do plec plec, isso nenhum computador substitui, pena que não vende mais o rolo de tinta. Seria legal se essa porcaria pudesse enviar email. Disse à gostosona que meu computador tava no conserto pra fazer um upgrade – não sei se ainda usam esse termo, mas achei legal pra impressionar.
Ah, ia esquecendo do fundamental objeto do meu apartamento: a luneta! Quando eu vim morar aqui encontrei essa luneta abandonada numa caixa escondida no depósito de quinquilharias do prédio – é onde o pessoal guarda as coisas que não usam mais, mas que tem pena de jogar fora. Não roubei propriamente, apenas fiz uma troca, coloquei um ventilador quebrado, mas que funciona, só o motor que tá ruim, dá pra consertar tranquilamente, por isso não joguei fora.
Agora vamos para o tão prometido salto nessa história que tava ficando chata (lembra?). Então… Uso essa luneta para ver coisas além do que os meus olhos veriam através da única janela do meu pequeno apartamento que só da pra ver o matagal e o imenso prédio com mais de mil apartamentos por andares… Bom, mas antes de falar sobre isso, olha que broxante: vou tomar um café, depois volto a escrever.
A xoxota, só casando.
Eu não sou mulher de boquete, não. Nunca fui disso. Imagina… Eu só dou o meu cu porque sou virgem. Minha xoxota vou dar apenas quando casar e pra casar comigo tem que ter grana, muita grana. Imagina se eu vou querer um homem pobre que não tem nem onde cair morto, desses pé sujo que dormem em quartinhos. Se bem que se o cara tiver condições de me manter num quartinho com tudo de bom e ainda me dá dinheiro pra chupar um picolé na orla dia de domingo, posso até, em última instância, pensar na possibilidade.
Eu não quero que os meus filhos – sim, eu quero ter um menino e uma menina – nasçam pretos. Meu negócio é gringo. Minhas irmãs vão morrer de inveja quando virem meus guris branquinhos, branquinhos. E se eles tiverem olhos azuis, melhor ainda, vão todas tomar no cu de canudinho, vou esfregar na cara daquelas vadias e mostrar quem é que é a boa aqui.
Outro dia peguei um alemão lá no Porto do Barra. Confesso, cá entre nós, que pau de negão me atrai mais, mas o do branquelo até que tava gostoso. Quando ele balançava o pau na minha cara, menina, caía uma nota de dolar no chão. Ele ria e dizia que ia me levar para o estrangeiro. Ai nega, essa preta aqui ficou doida! Primeira vez que consegui juntar dez dólares chupando um pau.
A minha chance de tirar o pé da lama. Casar com alemão foi o que eu sempre quis. Vou pros Stats, ficar rica, ser vizinha de Brad Pitti. Até me imaginei pedindo uma xícara de açúcar pro vizinho gostoso. Hi Brad, I need um pouquinho de açucar, a little. Nice to meet you Brad. Claro que se o meu alemão não tiver em casa, eu vou deixar a toalha cair. Mas a xoxota só vou dar se ele quiser casar. No xoxota, Brad, só casando.
Maldita música sertaneja
José e Francisco podiam formar uma dupla sertaneja, se para tanto aprendessem a tocar violão. Mas não tem talento para esse tipo de arte. José e Francisco podiam ser pedreiros, marceneiro,s padeiros, cozinheiros e tantos outros -eiros que existem por ai. Mas por terem nascido onde nasceram e por terem sofrido o que sofreram – de terem até comido o pão que dizem ter sido amassado pelo cão – cansados de tanto sofrer, resolveram vez por todas, serem desordeiros.
Todos sabem que a vida não foi feita para amadores. Muito menos a vida de criminosos. Hão de ser profissionais. José e Francisco precisam ser rebatizados. Agora são respectivamente Rato e Coiote. Nomes de animais são ótimos para impressionar. Assim, renunciam os seus nomes, devendo-os usar apenas sob a força da lei, quando assim fichados.
Rato e Coiote, amadores na arte do crime, humildemente foram pedir ajuda a Marreco, malandro experiente, um currículo invejável, já passou pelos piores presídios. Tem “responsa”, tem prestígio, tem todo o reconhecimento negativo da comunidade. Ninguém encosta sem antes pedir permissão.
Então cês querem um desses? Indagou Marreco enquanto mirava um Desert Eagle .50 Action Express que ele fez questão de decorar o nome em um mal inglês só para impressionar. Mas impressionante mesmo é o acervo de armas que ele tem. Só coisa boa. Disse o Marreco. Se fizer bobeira e os cana entrarem aqui eu dou um tiro no cu de cada um.
Nada disso não senhor, vamos roubar uma padaria lá no centro, o português vacila deixando aberta até mais tarde… Disse Coiote. E tu conhece algum dono de padaria rico seu otário? Berrou o Marreco empunhando a arma na nuca do Coiote. Não assalte padarias, pastelarias, lanchonete ou coisa parecida. Aconselhou. Evite assaltar supermercados, a menos que você consiga levar todo o dinheiro de todos os caixas de todos os supermercados da rede…
Mas então, dá uma opinião aí pra gente chefe… Disse o Rato, meio que suando por dentro e se cagando de medo. Em primeiro lugar, não sou teu chefe, em segundo lugar, se tu quer mesmo aprender, pesquise no Google ou na Wikipedia. Disse Marreco irritado. Loja de eletrônicos seria uma boa pedida… Ele sugeriu. Mas aí a gente vai precisar de um caminhão – Disse Rato para irritação do Marreco – Daí vocês roubam uns dez caminhões, contrata uns vinte homens pra ajudar a carregar a mercadoria e depois abre outra loja de eletrônicos pra vocês e ficam ricos! – Marreco estava zombando, mas o Coiote ficou imaginando a façanha! Que tal Coiote Eletro?! Disse eufórico.
Eu sempre quis ter uma Tv de Plasma e um Praystation 3! Berrou o Rato. Aproveitem e tragam um sofá daqueles que vem em forma de círculo, eu sempre quis ter um desses aqui no meu barraco. Disse o Marreco novamente tentando ser sarcástico com os dois. Não quero mais perder meu tempo com vocês, mas como to vendo que cês são muito otário, vou dar uma dica quente: experimente um hotel. Falou Marreco pacientemente, coisa que não faz com tanta freqüência. Legal – disse Coiote – Assim vou poder levar aqueles sabonetinhos amostra grátis aos montes!
Foi então que o Marreco perdeu completamente a paciência e colocou os dois pra correr. Testou a sua pontaria, mas por sorte da dupla, não acertou ninguém. Rato e Coiote, assaltaram uma loja de instrumentos musicais e voltaram a ser José e Francisco. Às vezes quando escuta os dois cantando na rádio, Marreco lamenta sempre porque errou a porra da mira! Maldita música sertaneja!
O trenó caiu…
Rô, Rô, Rô o Natal acabou… E com ele acabou o chester, a mortadela, o queijo, a farofa, o pão doce e o panetone. E agora a fila está imensa em frente ao sanitário da minha querida e natalina casa. Acho que o queijo estava estragado ou teria sido o chester que compramos com vencimento no natal passado?
Todo ano, como manda a tradição, antes da ceia, oramos e refletimos sobre o verdadeiro significado do Natal: “Senhor Deus, agradecemos por esta noite maravilhosa, pedimos proteção à todos os famintos e TIRA A MÃO DO CHESTER DESGRAÇADO! Como dizia, proteção a todos os famintos e MISERÁVEL do mundo que neste momento passam fome GRRR EU JÁ MANDEI TIRAR A PORRA DA MÃO!!! Passam fome nesse CARALHO TIRA A MÃO! Amém.”
Em tempo, tenho uma notícia boa e outra ruim: O Trenó do Papai Noel acaba de cair na Serra da Jaburiticaba do Sul. Felizmente, somente o motorista morreu. Mas todos os veadinhos sobreviveram para alegria do movimento LGBTTTTTTTTTTT (estão todos livre! I want to break free!). A propósito, quem ainda, nesse planeta, agüenta ouvir Simoni cantando “Então é Natal” que atire a primeira pedra… NELA! Será que foi por isso que Mark Chapman matou o Jonh Lennon?
I’ve been there – Final
Cayford, em conferencia com o presidente chinês, pede para que autorize as tropas do seu país a iniciarem o processo de libertação do planeta, mas o presidente diz a Cayford que não poderá fazer isso porque depende daqueles escravos para a reconstrução do planeta Terra, que, muito mais agora, após a Segunda Guerra Nuclear, precisa de recursos naturais disponíveis nesse planeta. O presidente ordena a liberação de Jahifa e permite a sua vinda para o planeta Terra. “Vocês aqui estarão gozando de todas as riquezas e privilégios que necessitam” finaliza o presidente.
Cayford olha tudo em sua volta e percebe o quanto ele foi ingênuo… Tanto China, quanto os Estados Unidos são países conduzidos por tiranos. O povo do 581e continuará escravo. Ele se deixou enganar… Foi até Jahifa e contou a proposta do presidente chinês, mas ela reclinou – Eu não posso abandonar a minha família – disse Jahifa – São todos meus irmãos – concluiu.
Enquanto isso, no planeta Terra, uma nova Guerra se inicia. Dessa vez, países africanos entram em combate. Por anos, os povos africanos se fortaleceram, tornando-se também potências bélicas. O mundo estava tão dividido, que só mesmo uma sucessão de guerras poderia resolver todas as diferenças. Aproveitando a fragilidade chinesa, Africanos tomam o controle do planeta Terra. Agora o mundo está totalmente destruído. Essa nova guerra durou 17 dias, mas não foi tão poderosa quanto a Segunda, pois os recursos já estavam escassos ou destruídos.
Com a derrota dos Chineses e quase destruição completa da humanidade, a nova era do caos tem início. Os terráqueos vivem como na idade das trevas, sem eletricidade, sem tecnologia, com recursos escassos e precários. Já não há mais como um terráqueo se mover ao planeta 581e. Não há tecnologia disponível. Mas ainda é possível viajar do 581e para o planeta Terra. Com a notícia da destruição da Terra, americanos do 581e se rebelam contra os chineses. Inicia-se uma nova guerra, a primeira naquele planeta, que dura três anos e vinte e três dias. Os nativos do 581e aproveitam-se da fragilidade de ambos os grupos e conseguem reverter a situação. Agora o planeta está de volta aos verdadeiros donos. Jahifa retorna ao seu posto.
Todos os humanos são extraditados de volta ao planeta Terra, inclusive Cayford. “A raça humana é inferior, não pode habitar esse planeta para não contaminar o nosso código genético” diz Jahifa. Mais uma vez, Cayford se sente traído. O planeta Terra agora está sob o domínio dos habitantes do 581e e todos os humanos restantes, são condenados a reconstruir o planeta. A Terra foi escravizada e uma nova era tem início. E quando Cayford olha para o céu, sabe que há alguns anos luz da terra, há um paraíso. Mas ele promete vingança. Haverá ainda na terra, em algum lugar, poder suficiente para aniquilar o 581e, promete Cayford.
I’ve been there – Parte 3
O acordo de guerra entre as nações foi quebrado. Os chineses resolvem ousar na tática e atacam os Estados Unidos sem emitir aviso. Esse acordo foi firmado após a primeira guerra nuclear como uma medida protecionista aos dirigentes dos países em guerra, tempo suficiente para os presidentes e demais autoridades se resguardarem em suas respectivas bases espaciais.
Mas dessa vez, o ataque pegou todo o mundo desprevenido. Os chineses enlouqueceram… E em segundos, importantes cidades americanas são pulverizadas. Os demais países respondem aos ataques e entram em guerra. São doze dias de conflitos intermitentes que resulta na rendição completa dos americanos e seus aliados, o poder bélico dos chineses é altamente surpreendente. Estima-se em quatro milhões ou mais os números de mortos nessa guerra.
O projeto especial americano agora está sob o controle dos chineses e suas tropas. A NASA e todos os anos de pesquisa estão sob nova direção. Cayford, o homem da guerra que quase aniquilou todo o planeta Terra é nomeado o líder do novo empreendimento chinês. Todo poder e glória para Cayford, uma estátua é erguida em sua homenagem em frente à antiga sede do governo americano. Mas tudo o que ele quer é libertar o planeta 581e. Em pouco tempo, a inteligência espacial americana está sob controle total dos chineses, que a dominam o suficiente para dar prosseguimento a todas as pesquisas que a NASA desenvolvia anteriormente. Agora os chineses também podem ir ao 581e.
E essa é a nova missão de Cayford. Conduzir os chineses ao planeta. E assim, em cinco anos, os chineses pisam pela primeira vez no 581e, e no lugar da bandeira americana, ergue-se a bandeira chinesa.
O processo de dominação do 581e foi, em parte, baseado na dominação cultural. A imposição da cultura americana aos nativos daquele planeta foi bastante acelerada por conta, sobretudo, da capacidade compreensiva dos nativos. Uma raça altamente superior aos seres humanos. A Igreja Católica acompanhou todo o processo de colonização do habitável planeta: onde havia uma base militar, havia um templo católico. Deus, também criou o 581e em apenas sete dias…
Cayford se encontra com Jahifa, uma nativa do planeta, o grande motivo para que ele se rebelasse contra o seu país. Jahifa tem traços humanos, mas a sua perfeição supera completamente a raça humana. Ela é linda e tem um encantamento único. Antes da chegada dos humanos, Jahifa era uma espécie de princesa em sua terra, embora esse não fosse o termo utilizado. Ela é descendente dos primeiros habitantes do 581e, a qual todos devem veneração. E Cayford ficou apaixonado por ela… Mas assim como todos, foi presa e obrigada a efetuar serviços escravos. “Vamos libertar o seu povo, Jahifa!” a euforia toma conta de Cayford.
(Continua na próxima postagem)
